Produtividade e inclusão: qualificação que transforma empresas e vidas
A produtividade costuma ser associada a máquinas modernas, novas tecnologias e processos mais eficientes. Mas, em um cenário em que a falta de mão de obra qu...
A produtividade costuma ser associada a máquinas modernas, novas tecnologias e processos mais eficientes. Mas, em um cenário em que a falta de mão de obra qualificada se tornou um dos principais desafios para a indústria, um fator continua sendo decisivo para o desempenho dos negócios: as pessoas. No Paraná, uma iniciativa construída ao longo de mais de uma década vem mostrando que investir na qualificação profissional pode gerar resultados que vão muito além da empregabilidade. Ao mesmo tempo em que prepara profissionais para atender às demandas do mercado, a ação contribui para aumentar a produtividade e criar oportunidades para pessoas em situação de vulnerabilidade social. Trata-se da parceria entre o Senai Paraná e o Instituto Barigui, organização social mantida pelo Grupo Barigui. A iniciativa oferece cursos gratuitos voltados à capacitação profissional de pessoas que dificilmente teriam acesso a esse tipo de formação. Graças a essa ação mais de 2.100 alunos foram qualificados e, somente em 2026, a expectativa é disponibilizar cerca de 230 vagas em diferentes áreas, como mecânica automotiva, logística, gestão administrativa e veículos híbridos e elétricos. Segundo Cristiana Vantroba, gerente do Instituto Barigui, a proposta de ampliar oportunidades para pessoas que muitas vezes precisam escolher entre trabalhar ou estudar vem sendo cumprida: "O projeto social não para na capacitação e sim no emprego, para fechar o nosso ciclo social." Qualificação que reduz o tempo de adaptação Além do impacto social, a qualificação profissional também gera benefícios diretos para a indústria. Em setores como o automotivo, receber trabalhadores com formação reduz o tempo de adaptação e acelera o desenvolvimento das equipes. Para Cristiana, esse é um dos principais diferenciais dos alunos formados na parceria: "Quando a teoria e a prática se unem, com certeza há um ganho muito grande a hora que o aluno vai para o mercado. O fato de o colaborador passar por processos internos de trabalho e não haver a necessidade de ensinar a teoria já é um grande diferencial." Ela destaca ainda que a formação oferecida pelo Senai de forma customizada contribui para complementar conhecimentos que habitualmente seriam adquiridos de maneira informal: "Eles vão ter um ensinamento técnico e a parte teórica, que é o que eles não têm quando aprendem em casa ou no trabalho informal. Além disso, há o diferencial de os cursos do Senai serem customizados. Essa possibilidade de montar uma grade curricular de acordo com a nossa necessidade faz uma grande diferença." Para o diretor regional do Senai Paraná, Odivany Pimentel Sales, a produtividade está diretamente relacionada à capacidade de desenvolver talentos preparados para os desafios atuais do mercado de trabalho. "Produtividade não é apenas fazer mais em menos tempo. É fazer melhor, com qualidade, segurança e eficiência. Quando investimos na formação profissional, reduzimos a curva de aprendizagem, aumentamos a competitividade e ampliamos as oportunidades para as pessoas. É um ganho para toda a sociedade." Uma nova oportunidade aos 36 anos Entre os alunos que tiveram suas trajetórias impactadas pela iniciativa está Aliny Aparecida de Araújo, de 36 anos. Moradora de Curitiba, casada e mãe de um adolescente de 16 anos, ela encontrou no curso de Auxiliar de Logística uma oportunidade de recomeço. A decisão de voltar a estudar não foi simples. Aliny convive com a dislexia e passou anos longe da sala de aula. "Eu fiquei com aquele medo, aquele receio de vir. Cheguei aqui no primeiro dia, conversei com os professores, eles falaram que iriam me ajudar e que eu não podia desistir", lembra. O acolhimento fez diferença. Ela conta que concluiu o ensino médio recentemente e decidiu continuar investindo na própria formação. Ao falar sobre o futuro, a expectativa é seguir estudando e ampliando as oportunidades profissionais: "Não importa a idade que a gente tem, não importa se a gente tem 30, 40, 50, 60. A gente sempre tem que correr atrás. Se a gente não correr atrás, a gente não vai ter nada no futuro. E uma coisa que ninguém vai tirar da gente é o estudo. Eu não quero parar. Estudar é uma coisa que ninguém tira da gente". Transformação que alcança famílias inteiras Os resultados da iniciativa também aparecem fora das salas de aula. Segundo Cristiana, é comum que familiares relatem mudanças de comportamento, autoestima e perspectivas de futuro após a participação nos cursos. "Uma mãe comentou conosco: 'Muito obrigada! Eu não teria como pagar esse curso para o meu filho. Ele está muito feliz'." Para ela, esse retorno demonstra que a produtividade gerada pela qualificação profissional não se limita ao ambiente de trabalho. "A gente vê que esses mais de 2.100 alunos que nós formamos fizeram a diferença na nossa história. E a gente tem certeza que fizeram a diferença na vida deles também."